Pensão alimentícia: como o valor é definido na prática

Descubra como o valor da pensão alimentícia é definido, se existe a regra dos 30%, quando pedir revisão e o que fazer quando a pensão está atrasada.

André NelvamAdvogado especialista em Direito de Família · 3 min de leitura
Casal na cozinha de casa analisando contas e despesas da família

Em resumo

Não existe um percentual fixo na lei para a pensão alimentícia. O valor é definido pelo equilíbrio entre as necessidades de quem recebe e a possibilidade financeira de quem paga, e pode ser revisto sempre que essa realidade mudar.

A pensão alimentícia é uma das maiores fontes de dúvidas em direito de família. Quanto pagar? Quanto receber? Existe um percentual fixo? E se o valor ficar alto demais, ou baixo demais, com o passar do tempo?

Neste artigo, explico como o valor é definido na prática e o que fazer em cada situação.

O que a pensão alimentícia cobre

Apesar do nome, a pensão não serve só para comida. Ela cobre tudo o que é necessário para uma vida digna: alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, transporte e lazer. No caso dos filhos, o objetivo é manter, na medida do possível, o padrão de vida que eles teriam com os pais juntos.

Como o valor é definido

A regra está no artigo 1.694 do Código Civil: a pensão deve ser fixada na proporção das necessidades de quem recebe e dos recursos de quem paga. É o que se chama de binômio necessidade e possibilidade.

Na prática, o juiz analisa:

  • os gastos reais do filho, como escola, plano de saúde, atividades e moradia;
  • a renda de quem paga, inclusive renda informal e sinais de patrimônio;
  • a contribuição do outro genitor, que também tem o dever de sustento.

Por isso, reunir comprovantes de despesas e informações sobre a renda faz toda a diferença no resultado.

O mito dos 30% do salário

Muita gente acredita que a pensão é sempre 30% do salário. Isso não está na lei. O percentual é comum em decisões porque costuma equilibrar as contas, mas o valor pode ser maior ou menor conforme o caso. Uma criança com necessidades de saúde específicas, por exemplo, pode exigir um valor mais alto.

Para quem tem carteira assinada, a pensão costuma ser fixada em percentual do salário, com desconto direto na folha de pagamento. Para autônomos, é comum fixar um valor em reais ou em salários mínimos.

Revisão da pensão alimentícia

A pensão não é definitiva. O artigo 1.699 do Código Civil permite pedir a revisão sempre que houver mudança na situação financeira de quem paga ou de quem recebe. Exemplos:

  • perda de emprego ou redução de renda de quem paga;
  • aumento das despesas do filho, como a entrada em uma nova escola;
  • nascimento de outros filhos de quem paga.

Enquanto a revisão não é decidida, o valor antigo continua valendo. Parar de pagar por conta própria gera dívida.

Pensão atrasada: o que pode acontecer

Quando a pensão não é paga, quem recebe pode cobrar na Justiça. O Código de Processo Civil prevê medidas como:

  • prisão civil de um a três meses, para as três últimas parcelas vencidas antes da cobrança e as que vencerem durante o processo;
  • desconto em folha de pagamento;
  • penhora de bens e valores;
  • protesto do nome do devedor.

A prisão não apaga a dívida: o valor continua devido.

Pensão depois dos 18 anos

A maioridade não encerra a pensão automaticamente. Pela Súmula 358 do STJ, o cancelamento depende de decisão judicial, e a pensão pode continuar enquanto o filho estuda, por exemplo, em curso superior.

Se você está passando por uma separação, vale entender também como funcionam a guarda compartilhada e o divórcio em cartório.

Como posso ajudar

Seja para pedir, revisar ou cobrar a pensão, cada caso exige uma análise das despesas e da renda envolvidas. Fale comigo para entender os seus direitos e o melhor caminho.

Perguntas frequentes

A pensão alimentícia é sempre 30% do salário?

Não. Esse percentual é um mito. O valor depende das necessidades de quem recebe e das possibilidades de quem paga, e pode ser maior ou menor que 30%.

A pensão acaba automaticamente aos 18 anos?

Não. Segundo o Superior Tribunal de Justiça, o fim da pensão para o filho que completa 18 anos depende de decisão judicial, e ela pode continuar, por exemplo, enquanto ele cursa faculdade.

Quem está desempregado precisa pagar pensão?

O dever de pagar continua. O que pode mudar é o valor: quem perdeu renda pode pedir a revisão da pensão, mas não deve simplesmente parar de pagar.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individual do seu caso por um advogado.

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