Alienação parental: como identificar e o que diz a lei
Entenda o que é alienação parental, quais os sinais mais comuns, como reunir provas e quais medidas a Lei 12.318/2010 prevê para proteger a criança.

Em resumo
Alienação parental é quando um dos pais, ou outro familiar, interfere na relação da criança com o outro genitor, por exemplo desqualificando-o ou dificultando o contato. A Lei 12.318/2010 prevê medidas como advertência, ampliação da convivência e até a mudança da guarda.
Em separações difíceis, é comum que a mágoa entre os adultos acabe chegando às crianças. Quando um dos pais passa a interferir na relação do filho com o outro, o problema deixa de ser só emocional e passa a ter nome na lei: alienação parental.
O que é alienação parental
A Lei 12.318/2010 define alienação parental como a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente, promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou por quem tenha a criança sob sua autoridade, para que ela repudie o outro genitor ou para prejudicar o vínculo entre eles.
A lei foi atualizada em 2022 para reforçar a proteção da criança e o acompanhamento dos casos.
Sinais mais comuns de alienação parental
A própria lei traz exemplos de condutas. Entre elas:
- desqualificar o outro genitor na frente do filho;
- dificultar ou impedir o contato e a convivência combinada;
- omitir informações importantes sobre a criança, como escola, saúde e mudanças de endereço;
- mudar de cidade sem justificativa para afastar a criança do outro genitor;
- fazer falsas denúncias contra o outro genitor ou seus familiares.
Do lado da criança, os sinais podem incluir recusa repentina e sem motivo claro em ver um dos pais, repetição de frases típicas de adultos e sentimentos de culpa por gostar do outro genitor.
O que fazer diante da alienação parental
- Registre tudo: mensagens, e-mails, datas de visitas impedidas e situações relevantes.
- Mantenha a calma e não exponha a criança ao conflito. Retaliar costuma piorar a situação, inclusive no processo.
- Continue presente: cumpra os horários de convivência e participe da vida escolar e médica do filho.
- Procure orientação jurídica para avaliar a medida adequada.
Medidas previstas na lei
Quando a alienação parental é reconhecida, o juiz pode, conforme a gravidade do caso:
- advertir quem pratica a alienação;
- ampliar a convivência da criança com o genitor prejudicado;
- aplicar multa;
- determinar acompanhamento psicológico ou biopsicossocial;
- alterar a guarda para compartilhada ou invertê-la.
Em regra, o juiz determina uma perícia com profissionais especializados antes de decidir, e a lei garante à criança a convivência assistida com o genitor durante o processo, salvo risco à sua integridade.
Alienação parental e guarda compartilhada
A guarda compartilhada costuma reduzir os casos de alienação, porque mantém os dois pais envolvidos nas decisões. Quando um deles insiste em afastar o filho do outro, porém, a guarda e a convivência podem ser revistas. A pensão, por sua vez, não se confunde com a convivência: veja como funciona o valor da pensão alimentícia.
Como posso ajudar
Casos de alienação parental pedem sensibilidade e firmeza, sempre com foco no melhor interesse da criança. Se você percebe esses sinais na sua família, fale comigo para avaliarmos juntos as medidas possíveis.
Perguntas frequentes
Quem pode praticar alienação parental?
Qualquer pessoa que tenha a criança sob sua autoridade, guarda ou vigilância: pai, mãe, avós e outros familiares.
Como provar a alienação parental?
Mensagens, registros de visitas impedidas, relatos da escola e testemunhas ajudam. Na Justiça, costuma ser feita uma perícia psicológica ou biopsicossocial para avaliar a situação.
A alienação parental pode fazer o outro genitor perder a guarda?
Pode. Entre as medidas previstas em lei está a alteração da guarda, aplicada conforme a gravidade do caso e sempre com foco no bem-estar da criança.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individual do seu caso por um advogado.
Quem escreveu
André Nelvam
Advogado especialista em Direito de Família